sábado, 7 de setembro de 2013

VÁRZEA GRANDE 146 ANOS HISTORIA E TRADIÇÃO


quarta-feira, 31 de julho de 2013

CORAÇÃO TRADIÇÃO FRANCISCANO


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

VÁRZEA GRANDE História e tradição



Ao longo do conflito ocorrido na bacia do Prata, é que o governante matogrossense Dr. José Vieira Couto Magalhães, a frente das forças Provinciais de Mato Grosso e seus oficiais, e Cuiabá contando com a presença de inúmeros   prisioneiros  paraguaios, os quais poderiam provocar reação violenta  dos  cuiabanos pelas  incursões   que o seu governante Francisco Solano Lopez realizara  em território  de Mato Grosso, somadas as notícias  de  atrocidades,  que mesmo tardiamente  chegavam  a Cuiabá e  isto poderia  causar   conflitos  e  o processo de  guerra, poderia  tomar  rumos   diferentes  das  estratégias   de  guerra   planejada  pela  Aliança. 
Um conflito doméstico não interessaria a nenhum governante Provincial, pois poderia tirar a atenção e colocar os esforços dos fracos  recursos  disponíveis   à província, mudando o foco do conflito, que invadira a província.
 Numa atitude politicamente correta, fora a decisão tomada pelo então Presidente da Província Dr. José Couto de Magalhães[1], para dar proteção aos prisioneiros de guerras de origem paraguaia, criando um local para colocá-los em segurança. Assim, em 15 de Maio de 1867, criou o Chamado historicamente “Campo Concentração[2] de Prisioneiros Paraguaio na varzearia  existente  após  a  margem  do Rio  Cuiabá, distante   do  acesso   dos  cuiabanos,   colocando a disposição  dos   prisioneiros   um corpo de  guarda, executado por soldados provinciais,   para   vigiá-los  e   protegê-los  de  possíveis  ataques dos  cuiabanos, revoltos  com  as  atrocidades  praticada pelo soldados  paraguaios  sob o comando  de  seu governantes Francisco Solano Lopez.
As terras onde hoje se assentam a cidade de Várzea Grande, e povoada históricos com origem no período colonial brasileiro, ocupados e povoados pelos aventureiros paulistas, como o Distrito de Bonsucesso, Engordador, Guarita, Passagem da Conceição, Manga, São Gonçalo, Capão Grande e Porto Velho, os quais compreendiam as Sesmarias de Capão do Pequi, do Bonsucesso, de São Gonçalo, de Passagem da Conceição, da Chácara São João e uma grande parte de terras devolutas, na maioria chapadões e cerradas com alguns capões de modesta densidade.
À margem direita do Rio Cuiabá, na orla ribeirinha que, em hemiciclo, se estendia da boca do Ribeirão Pari até a Praia Grande, a vegetação melhorava nos lugares onde os afluentes desembocavam no histórico Rio das Bandeiras.
Fronteira às poucas casas que pontilhavam as concavadas barrancas da margem esquerda {capital mato-grossense}, havia um porto improvisado início da rota primeira dos bandeirantes, rumo ao norte. Era ali o ancoradouro de canoas e batelões da época a que se apelidou, depois, "Passagem Velha".
No meado do século XIX, por estas terras transitavam os homens da Vila de Nossa Senhora do Livramento, das fazendas do Pirizal e da região poconeana. No porto tinha origem a tortuosa e má estrada boiadeiras, que se prolongava até dois mil metros, num plano só, quando em curvas de morrotes ganhava a altura de uns 15 metros, para formar o modesto planalto, sobre o qual está hoje o campo de aviação Marechal Rondon e, adiante, a Várzea Grande.
A partir da ravina formada junto ao tanque de Umbaúval, inicia-se leve depressão, que se estende até a Lagoa Jacaré, no sentido oeste-leste (cerca de um quilômetro de extensão), onde as águas pluviais formavam um, banhado irregular, estreito e de pouca vegetação marginal. A estrada tortuosa que vinha do referido porto, tomando o sentido NE·SO, após transpor as ladeiras do Morro Vermelho, como se denominaram a diferença de nível citada, seguindo sempre para SO, atravessava cerca de mil metros de chapadões, em declive suavíssimo, até encontrar este banhado que há muito vinha servindo para ponto de pouso dos viajantes, carroceiros e principalmente aos boiadeiros que ali matulavam e punham bois e cavalos a pastar. Dada a extensão da Várzea, passaram a chamá-la de Várzea Grande e a marcar encontro nesse lugar, quando das viagens projetadas para o norte ou para o oeste. Havia nas cercanias um e outro rancho de pobre lavrador e, junto à várzea, alguns deles desocupados, abertos, que ofereciam precário abrigo aos boiadeiros em pouso, habituados à dura lide com o gado que, de Poconé e Nossa Senhora do livramento, vinham como ainda hoje para o consumo dos habitantes da Capital.
Igrejinha de Nossa da Guia ainda em Construção em 1892
Transpondo a várzea, a uns cem metros do lugar por onde hoje localiza a Avenida Couto Magalhães, cruza o soterrado leito do antigo lençol d'água, continuava a estrada boiadeiras, em terreno sempre plano (de signelíssíma movimentação), passando pelos córregos Traíra, Piçarão, Formigueiro e outros, em declives leves, mas que, no entanto, eram torrentosos e de difícil acesso após as grandes chuvas, pois aquelas terras estavam em completo abandono e as travessias eram realizadas a vau (não havia pontes).
Nas terras do município de Várzea Grande não há elevações (morros, colinas), podendo afirmar-se que a inclinação mais forte em toda a sua área é a rampa chamada Morro Vermelho modelado do terreno que o milenar serviço de erosão conquistou, para ajudar na formação do rio Cuiabá. O predomínio é dos chapadões cobertos de cerrados e uns poucos capões, exceção feita da marginal área do Cuiabá e do seu afluente, o rio Pari, onde a macega fora densa outrora. Hoje está  desgastada pela ocupação constante do homem da lavoura, cujo amanho, ainda assim nos moldes antiquados, não permite a recuperação da flora, esterilizando o solo. Entretanto, na orla ribeirinha, além dos pescadores, vive a quase totalidade dos lavradores várzea-grandenses, apegados ao plantio da cana, fumo, arroz, mandioca, capim de praia e horticultura.
O município é inclinado às indústrias, datando da sua fundação o seu início nos tipos manuais, onde nessa época, meados do século XIX, as sedes de sesmarias funcionavam em casas de adobes, existindo alguns lavradores espalhados pelas orlas dos capões ou encostados à margem do Cuiabá, onde viviam a princípios os aborígenes, da escassa lavoura, da pesca e das canoas, nas quais levavam o peixe, a lenha e a verdura para Cuiabá, para fazerem suas compras no comércio do porto segundo distrito.
Igrejinha de Nossa Senhora da Guia

Estes poucos lavradores residiam em choupanas isoladas a centenas de metros de distância uma da outra, pois o resto se resumia nos boiadeiros sem pouso certo, levados pelos cavalos às fazendas ou para Cuiabá, constituindo então, aquelas paragens das terras da futura Várzea Grande, apenas elo entre compradores e vendedores de gado. Da oportunidade se serviram muitos homens afeitos aos negócios ilícitos, para ali se fixarem em atividade de desonestos objetivos (abate de reses roubadas). Não obstante a vizinhança dessas terras com as de Cuiabá, só depois de século e meio da sua descoberta Várzea Grande, durante os conflitos que originaram a Guerra do Paraguai, foi fundada em 1867 a Várzea do Boiadeiro e ocupada por aventureiros na busca de riquezas, onde prestaria outro serviço ao homem.
Desde que se fundou Cuiabá, após as descobertas de Sutil, o bandeirante audaz transpôs o rio e tentou a mineração nos córregos e encostas do Morro Vermelho, vasculhando as terras várzea-grandenses que nada lhe ofereceram de surpresas - nem do ouro nem de gentio - dando-lhe, porém acesso a todo o norte e oeste, franqueando-lhe um mundo novo como Rosário Oeste, o fabuloso Diamantino, Coca, Beri - Poconé e a Vila Bela, que os audazes Paes de Barros foram fundar no imenso coração da selva, muito brutal, imensamente palustre, eternamente rica, onde o ouro, às mancheias, arrastou na ambição natural toda a população cuiabana, num êxodo de resultados funestos para alguns e satisfatórios para outros.
Várzea Grande recebeu e viu passar pelos seus caminhos todos esses bandeirantes do século XVIII: os que partiram para desbravar o norte e o oeste e os que lograram regressar.
Ainda hoje, como naqueles anos de desbravamento, Várzea Grande cumpre esse brilhante destino de ser o corredor por onde convergem ou divergem do Centro Norte Matogrossense os homens de agora e os do amanhã, a partir deste ponto de acesso.
Ora, visando o ouro e terras melhores, mais ricas e mais férteis, os bandeirantes cruzavam o Rio Cuiabá, passavam por Várzea Grande, aventurando-se pelo norte e a esta região de acesso, e extremamente ligada à Capital sobrou apenas o interesse por Várzea, como ponto de pouso e de pastoreio dos animais, durante décadas.
A Várzea Grande deste século XXI, seguirá o seu caminho no processo de desenvolvimento, situando-se como cidade industrial e consolidar no processo  jurídico de sua  criação e alcançar a emancipação política.

Procissão de Nossa Senhora da Imaculada Conceição
Com o fim dos conflitos da Guerra do Paraguai, pessoas de várias partes,  especialmente da cidade de Nossa Senhora do Livramento  fixaram residência no pequeno povoado em ascensão. Surgiram então os primeiros comerciantes, aumentando o pequeno núcleo populacional.
 Marcando a sua estratégia de posição de passagem e caminho que leva ao interior da província, em 04 de julho de 1874, inaugura-se a primeira balsa, e iniciando à travessia entre Cuiabá e Várzea Grande, o que permitiu transportes de volumes e mercadorias daquele entreposto comercial para a capital – a balsa fez história.
O primeiro professor da Vila foi o Mestre Bilão, que improvisava suas aulas aos poucos alunos que conseguiu arrebatar, em baixo de frondosa mangueira. Uma professora que marcando presença na historia desta terra e sua época foi Adalgisa de Barros, os seus esforços deu um novo rumo ao ensino na localidade. Várzea Grande lhe deve a implantação do primeiro teatro do antigo povoado.
A primeira igreja foi a de Nossa Senhora da Guia. Sua construção foi devida a um movimento histórico, liderado por Elesbão Pinto e depois por Sebastião dos Anjos. A obra foi concluída no ano de 1892.
 Pela Lei Provincial nº 145, de 06 de abril de 1886, elevou o povoado de Várzea Grande, a categoria de Paróquia. Em 1899, a Paróquia já contava com cartório, sub-delegacia de polícia, duas escolas pequenas e uma urna para uso dos eleitores.
A Revolução de 1930 determinou significativas mudanças no sistema político e social de Várzea Grande. Em 1942, o interventor Júlio Muller inaugurou a ponte de concreto, unindo Várzea Grande a Cuiabá, e dotou o terceiro distrito de energia elétrica, consolidando seu crescimento.
A Lei Estadual nº 126, de 23 de setembro de 1948, de autoria do deputado Licínio Monteiro criou o Município de Várzea Grande, com território desmembrado do Município de Cuiabá. O primeiro prefeito municipal nomeado foi o Major Gonçalo Romão de Figueiredo.
No período da emancipação de Várzea Grande, quem Governava Mato Grosso era Arnaldo Estevão de Figueiredo, que se notabilizou como grande incentivador da política migratória e de expansão em Mato Grosso.
A Várzea do Boiadeiro sempre mostrou vocação para ser cidade de grande porte, e parecia haver nos primeiros moradores uma exagerada autoconfiança em relação ao futuro da pequena vila, que viria transformar-se na cidade industrial de Mato Grosso.
A vocação industrial ganhou notável impulso. Inúmeras doações de áreas, incentivos fiscais de toda natureza, infraestrutura adequada permitiram a atração de grandes grupos financeiros. Disseminou-se a industrialização, a Alameda Júlio Muller, antigo caminho de pescadores, ganhou ares de distrito industrial, instalou-se ali a empresa Sadia Oeste, grande geradora de divisas e empregos. Nas proximidades cresceu o grande bairro Cristo Rei, o maior de Várzea Grande e celeiro da mão-de-obra local.

A explosão da industrialização, ocorrida em quase todos os quadrantes do município estimulou o comércio, que ferve em toda a extensão da Avenida Couto de Magalhães.Quer ler mais? Acesse: http://bonsucessomt.com.br/historia/varzeagrande.pdf

Avenida Couto Magalhães nos primórdios do nascimento de Várzea Grande 

Avenida Couto Magalhães em 1957

Em 1949, instala-se o município. Presença do então presidente Eurico Gaspar Dutra

Balsas na Travessia do Rio Cuiabá

Local boêmio onde os desportistas festejavam após partidas de futebol

Vereadores da 1ª e 2ª Legislatura da Câmara de Vereadores





[1] Fonte: Foto do Brigadeiro José Couto de Magalhães – acervo Fundação Julio José de Campos – de Aureliano Leite.
[2] Consideramos esta criação legitima do ponto de vista histórico, porém  denominá-lo de campo de concentração é para  atualidade, século XXI, um tanto pejorativo, uma vês que  no nosso universos de cidadãos da primeira metade do século XX  e diante de todas as atrocidades  que os  Alemães  nazista praticaram em Campo de Concentração, fica  difícil continuar com  esta  afirmativa no processo  histórico  de criação de um  espaço  que pudesse dar abrigo e segurança  aos presos paraguaios   que  se  encontravam em Cuiabá, capital provincial durante os conflitos   que  originaram na Bacia do Prata.  Estas considerações justifica-se diante das relações estabelecidas entre soldados, tropeiros e paraguaios que viviam em terras várzeagrandense, em que muitos  fixaram residência e dedicaram ao comercio de carne seca e manteada e logicamente ao plantios  de roças  e  pequenas iniciativas produtivas mesmo durante e pós  os conflitos.